Os
movimentos da Capoeira Angola são
tradicionais mas cada capoeirista os
reproduz a partir de sua constituição
física e gestualidade.
Há uma série de movimentos (golpes) básicos que se desdobram em variações e combinações complexas, o que leva a compará-los com os sons musicais.
A seqüência é opção de cada capoeirista, sempre em estreita dependência dos movimentos do parceiro de jogo.
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"Era
eu era você
Era você era eu
Era eu era meu mano
Era mano era eu
Você não jogava sem eu."
(Mestre Pastinha)
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"O
jogo se desenrola com a ginga, movimento de
dança e de luta; de concentração e
descontração, personalizado, e
desconcertante.
Mas muitas vezes começa com movimentos próximos
ao chão.
De pernas para o ar, o capoeirista está em
posição de ataque e ao mesmo tempo defende
tronco e cabeça...
Pode girar as pernas, tendo a cabeça ou
as mãos como eixo.
As pernas no chão podem levar um golpe aos
pés do parceiro ou formar uma tesoura para
derrubá-lo."

"Mãos no chão,
como em falsa queda, as pernas continuam
livres, de frente ou de costas.
Já de pé, o capoeirista pode partir para
uma cabeçada ou se agachar para uma
rasteira.
De frente para o parceiro, pode
surpreendê-lo sendo direto ou desenhando um
golpe no ar. Ou se esquivar e ao mesmo tempo
golpear.
E de repente girar e voltar, como pião.
Se preciso, pode procurar espaço,
dissimulado, de cabeça para baixo.
E logo rolar, protegendo a cabeça e
preparando um ataque.
Ou se afastar voando pra trás..."

Os movimentos do jogo de capoeira angola,
circulares, com aproximações e afastamentos, lembram os movimentos dos
animais quando se encontram, cada um com seu corpo, percepções e
habilidades.
Talvez por isso Mestre Pastinha tenha escrito sobre a cobra e o gavião...

Ilustrações
(e interpretação):
E. Zolcsak, 2004.
Fonte do manuscrito (ilustração):
Angelo A. Decanio Filho. Manuscritos e desenhos de Mestre Pastinha.