Música afro-brasileira

  • não-ocidental
  • de tradição oral
  • ligada a acontecimentos
  • forte presença de canto
  • associada a movimento

    Os sons musicais se repetem no tempo e têm:
    duração = tempo
    intensidade = mais forte ou mais fraco
    altura = mais grave ou mais agudo
    timbre = origem

    Músicas são seqüências de sons musicais e também apresentam propriedades, como:
    compasso = divisão em pequenas partes
    andamento = velocidade
    ritmo = seqüência de sons e pausas

    Mas o pesquisador Tiago de Oliveira Pinto nos lembra que música é uma abstração cultural, portanto sua produção e seu entendimento diferem entre os grupos humanos. Conta que Mestre Vavá do Recôncavo Baiano, ao comentar um jogo de capoeira, dizia: "Aí o berimbau muda a tonalidade", o que significava mudar o toque do berimbau e assim, com um novo movimento no instrumento, provocar uma mudança no jogo.
    Palavras como tom, escala, ritmo e harmonia podem ter significados diferentes quando utilizadas na teoria musical européia ou quando utilizadas em outros locais e condições, ou outras culturas.

    John Baily, também pesquisador, ressaltou a importância dos movimentos na musicalidade africana. São os movimentos possíveis nos instrumentos que geram "tons" e uma escala acústica, diferentes da sonoridade escrita em partituras de música ocidental européia.

    Na música africana e afro-descendente os movimentos do corpo humano criados ou descobertos por cada músico perante determinado instrumento, cuja forma impõe limitações, resultam na estrutura musical e nos padrões de movimento atingidos por virtuosismo e técnica.

    Outro estudioso, Gerhard Kubik, já havia se interessado em pesquisar a música africana e afro-brasileira a partir de padrões. Encontrou, entre africanos e no Brasil, padrões rítmicos semelhantes, como, por exemplo, aqueles executados em um tipo de instrumento de um conjunto para orientar os outros músicos e dançarinos no tempo da música. Com isto propôs mais uma confirmação para a origem banto do samba-de-roda, com o qual a capoeira tem ligações.

    Fontes:
    Gerhard Kubik. Angolan traits in black music, games and dances of Brazil; a study of african cultural extensions overseas. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar, 1979.
    John Baily. Music structure and human movement. In P. Howell; I. Cross; R. West (eds.) Musical structure and cognition. London: Academic Press, 1985.
    Osvaldo Lacerda. Teoria elementar da música. 4 ed. São Paulo: Musicália, 1976.
    Tiago de Oliveira Pinto. Som e música. Questões de uma antropologia sonora. Revista de Antropologia v.44 n.1, São Paulo, 2001.

    Fotos:
    Grupo Nzinga de Capoeira Angola, 2001.